Ontem, dia 2 de Agosto de 2008 era um dia especial. Porquê? A minha maior banda de culto do Hardrock, estava a 50 Kms de mim – em Cantanhede – e, claro, lá fui eu mais uns amigos ver os grandiosos WHITESNAKE.
A expectativa era grande, pois eu até os tinha visto há coisa de um ano e tal no Coliseu de Lisboa mas vim desiludido com o som, como já vai sendo habitual em salas. Acontece que desta feita era ao ar livre e lá estava uma produção brutal, um line array gigantesco a ladear um grandioso palco recheado com uma produção cénica fabulosa. Ora, tudo levava a crer que iríamos ter um grande concerto.
Quando o Coverdale e companhia aparecem e arrancam aquela «bordoada» inicial antes do best years com que abriram (faixa 1 do novo álbum Good to be Bad) e o Chris Frazier, baterista que substitui o enorme Tommy Aldrige nesta tounée, faz umas «suaves» pancadinhas nos dois bombos da DW, estava dado o mote para o recital de agressão bárbara aos ouvidos, que iríamos ter durante o concerto.
Bom, quanto aos «Deuses» estiveram muito bem, como é apanágio; um Coverdale cheiinho de rugas, mas aquela que é para mim a melhor voz de hardrock do mundo está intacta; o resto da banda, cheios de energia, simpatia para o público e uma raça de se lhe tirar o chapéu; apenas achei exagerado o momento dos solos dos guitarristas; estar quase 20 minutos a ouvir dois guitarristas a guinchar com as guitarras, confesso que me cansa, sobretudo tratando-se de músicos que nada têm a provar! De resto tudo impec… Dois encores e muito encanto naquele que foi o último concerto da sua digressão mundial de Verão!
Agora, deixem-me atirar com unhas e dentes ao técnico de som de frente! Como posso eu aqui expressar a raiva que de mim se apoderou durante o concerto? Acreditem que se eu pudesse, entrava naquela régie e depois de lhe mostrar toda a minha cólera fazia-lhe umas perguntas:
- será que o senhor tem ouvidos ou, se os tem, ainda estão saudáveis?
- será que o senhor não ouve que este som está completamente desequilibrado, pois para além da voz do Coverdale mal se ouvir e a tarola, os toms, os pratos não passarem quase do palco, o que o senhor aí tem não são bombos de bateria, mas sim autênticas bombas, com uma pressão sonora absurdamente ensurdecedora, que mal deixa perceber o que se está a tocar para além disso?
- será que o senhor, em casa, coloca o último CD dos Whitesnake (que tem um excelente som) e depois ao lado das colunas coloca um martelo pneumático com 5000000 decibéis?
Pois, meus caros amigos: já não é a primeira vez que aqui aludo a este facto. Ou eu estou cego, surdo e louco, ou então alguém está. Eu assisto a dezenas de espectáculos que vão desde os «kinjuntos» a enormes concertos, e chego à conclusão que, ou as pessoas não ouvem música, ou então acham que demonstrar que são bons técnicos e que têm grandes PAs, é colocar o bombo da bateria a volumes e frequências absolutamente absurdas e lesivas do ouvinte, e o resto pouco ou nada interessa! E então os baixistas, esses podem ficar em casa, pois estarem lá ou não, é a mesma coisa. Eu que até sou baterista (pasme-se a ironia), quem melhor que eu gosta de ouvir uma bateria bem equalizada e equilibrada a bater nos «cojones»? Agora, por favor, senhores «injinheiros de som»: ouçam música e façam um esforço para que ao vivo o som seja o mais parecido com os discos, apenas amplificado quantas vezes quiserem. Um som até pode ser exagerado em volume, mas se estiver equilibrado é bem tolerado! Lembro-me, por exemplo dos Dream Theater na praça Sony em Junho de 2002: o som quase que doía, mas estava TUDO no sítio. (Já nos coliseus, é a miséria do costume)
Agora, não me venham com esta nova escola ou filosofia de som da moda, pois para mim, essa espécie de «tunning» em que transformam os concertos, não são mais que ridículas demonstrações de poderio sub-grave, como se a qualidade das bandas por tal se medisse.
O que se passou em Cantanhede foi um atentado de lesa-ouvido! Ninguém, com dois apêndices em forma de concha entre a face e o pescoço, e que deles não padeça, pode dizer que aquilo é um som minimamente decente e digno de uma banda como aquela. Aquele matraquear ensurdecedor vindo dos pés do baterista assassina qualquer bom ouvidor de música!
Nos ditos «kinjuntos» até se pode entender esta moda como uma técnica de disfarce da confrangedora pobreza musical da banda, agora com os WHITESNAKE EM PALCO, meuzzzz… amigozzzzzz? Não habia … hum…. Nexexidade…zzzz…hummm!!!
Resta-me partilhar as fotos que fiz durante o concerto.
Paulo Carvalho









































